Apesar de tentativas de paralisação, evento atraiu grande público neste fim de semana, na quadra sob o Viaduto Leonel Brizola
Por Assessoria / Imagens Maylon Amorim
As inúmeras publicações de orgulho de admiradores do rap nas redes sociais corroboram o sentimento dos organizadores. Realizado no último fim de semana, o Dia do Rap Goytacá: Expressões Urbanas se tornou um símbolo da força da cultura Hip-Hop em Campos dos Goytacazes. O evento atraiu grande público à Quadra Hugo Oliveira Saldanha, sob o viaduto da Ponte Leonel Brizola, que há quase 12 anos sedia batalhas da Manifestação Cultural de Rimas (MCR).
— Foi muito emocionante quando a gente viu tudo montado, com uma estrutura para o rap goytacá, que a gente nunca tinha visto em Campos. No viaduto, foi a primeira vez com uma estrutura desse tamanho. Ficou muito lindo, a gente se emocionou — afirma a gestora do Dia do Rap Goytacá, Carla Ribeiro. — É um marco para o rap campista, e essa era a intenção. Fazer o Dia do Rap Goytacá com essa proporção foi uma responsabilidade muito grande, que a MCR jogou no peito em nome de muitas pessoas. A gente assumiu a responsabilidade de fazer um evento com a grandiosidade e a importância do rap de Campos — enfatiza.
Da tarde ao final da noite de sábado (16), passaram pelo palco do evento os DJs Jason e Cunha, e os rappers Ancorano, Tchuco, Sativa'Mente, Isadora Gavião e Zabú. Também houve uma performance de breaking do grupo Move Dance e live painting com graffiti dos artistas Andinho Ide e Kane KS. A parte negativa foi a necessidade de a batalha de rimas acontecer à capela, após o som ser interrompido devido à falta de comunicação entre órgãos do poder público. Apesar do ocorrido, o rapper WT MC sagrou-se campeão da batalha.
— A gente emitiu os ofícios e deixou no Batalhão de Polícia Militar e na Secretaria Municipal de Turismo, que centraliza todas as emissões para os órgãos municipais. Mas o Turismo não repassou aos demais órgãos — lamenta Carla Ribeiro. — Uma equipe da Secretaria Municipal de Ordem Pública esteve aqui no sábado, pedindo para ver o "nada a opor". Nós mostramos o do Batalhão, que a gente tinha, mas o Turismo não tinha emitido o seu "nada a opor" impresso no primeiro dia. A Secretaria de Ordem Pública, então, pediu para a gente diminuir o som, porque eles estariam recebendo denúncias. A gente diminuiu. Aí eles falaram que meia-noite iam parar a música. A gente continuou até meia-noite e encurtou as apresentações dos artistas. Quando deu meia-noite, deixamos só um beat baixinho. Mas eles retornaram e pararam o som do evento. Então, a gente terminou a programação de sábado da mesma forma como começou o Rap Goytacá: gritando aqui embaixo do viaduto, com a galera rimando sem o som — explica a gestora.

Após consulta à Secretaria de Turismo, o aval para liberação do evento foi formalizado antes das atrações da tarde de domingo (18), quando ocorreram competições de esportes urbanos e uma oficina de graffiti. Pedro Emerick, Iena e Jota foram premiados no best trick de BMX, e Jhonny, Natan Duarte e Lucas receberam os troféus do best trick do skate. Também ficou para o segundo dia a apresentação da DJ Nana Clara, do projeto Selecta Dimina, que não ocorreu no dia anterior em razão do som interrompido. Mesmo com a segunda parte do evento acontecendo à tarde, um homem esteve no viaduto alegando supostas irregularidades e tentando uma nova interrupção. Porém, como a documentação obrigatória foi apresentada, a Ordem Pública permitiu a continuidade do evento ao retornar no segundo dia, por não haver nenhuma irregularidade.
O Dia do Rap Goitacá contou com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Ministério da Cultura, da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima e do Fundo Municipal de Cultura de Campos.