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Economia no lazer: aberta temporada de cruzeiros que movimenta bilhões no país
Por Administrador
Publicado em 28/11/2025 16:29
Economia, Negócios e Desenvolvimento

Saiba mais sobre a atividade que envolve e rende lucros em diversos setores da economia brasileira 

 

Com uma área marítima de cerca de 5,7 milhões de km², o Brasil é, ano após ano, destino certo para cruzeiros. Segundo a Cruise Lines International Association (Clia Global), o Brasil apresentou o maior crescimento proporcional em número de cruzeiristas desde 2019, com alta de 30% contra 7% da média mundial. Hoje, é um dos dez maiores mercados de cruzeiros no mundo. 

Há 20 anos neste ambiente de negócios e sediada no Nordeste brasileiro - região que se destaca pelas praias e belezas naturais - a Maritime Ship Service é um dos principais ship chanders a oferecer seus serviços a estes navios. 

O CEO da empresa, Thiago Nascimento, explica que os cruzeiros movimentam fortemente a economia local. Cada navio desembarca de 3 a 4 mil pessoas, que utilizam serviços como transporte, passeios turísticos, restaurantes, artesanato, comércio, e até mesmo redes hoteleiras das cidades-destino, como Fortaleza, Salvador e Recife.

Para atender às expectativas do setor, é necessário um profissionalismo extremo para multiplicar adequadamente processos internos da empresa: estoques, compras e – mesmo – comunicação. 

“Quando atendemos navios de cruzeiro, estamos falando de uma logística e de uma multiplicação de todos os nossos processos. Se um navio cargueiro, com 20 a 25 tripulantes a bordo, consome um determinado volume de produtos, esse valor é multiplicado inúmeras vezes quando se trata de um cruzeiro”, explica o empresário.

As paradas programadas dos navios de cruzeiro em diversos portos também exigem o atendimento do mesmo navio em diferentes cidades, em intervalos de poucas horas. “Cada uma dessas paradas tem exigências específicas. Muitas vezes atendemos um navio em Recife e depois voltamos a encontrar o mesmo navio em Maceió, por exemplo”, acrescenta.

Solicitações diversas

Várias solicitações inusitadas já foram atendidas pela Maritime: flores frescas, itens de decoração e até cana-de-açúcar já tiveram que ser providenciados. 

“Em uma temporada tivemos um cliente com uma demanda excepcional por vinhos. Embora cruzeiros sejam altamente organizados, surgem situações imprevistas. Por isso, entregamos, rapidamente, um pedido diferente, com diversas caixas de rótulos específicos de vinhos, para que pudessem continuar seu serviço”, lembrou Thiago.

O CEO ressalta que, ao realizar o pedido, o armador confia que o ship chandler terá a capacidade técnica para que tudo seja entregue no tempo e na qualidade esperados. “Essa confiança se constrói com experiência e histórico comprovados. No caso da Maritime, são 20 anos de atuação e várias temporadas de cruzeiros atendidas. É por isso que os cruzeiros continuam voltando a fazer seus pedidos conosco: eles confiam em nossa excelência”.

 

Dificuldades enfrentadas pelo setor

O alto volume de passageiros exige grandes operações de embarque, desembarque e trânsito de veículos nos portos, e a logística para manter navios de passageiros bem provisionados é complexa. Isso se traduz em um grande gargalo enfrentado pelos navios de cruzeiro no Brasil: a infraestrutura portuária.

Como resultado, Thiago Nascimento analisa o cenário e os impactos de uma redução na receita de turismo de cruzeiros em 25/26. 

“Na temporada do ano passado, tivemos um recorde importante no setor, com cerca de 860 mil cruzeiristas que movimentaram R$ 5,43 bilhões. Já agora, em 2025/2026, temos 670 mil leitos em 7 navios, e por isso a estimativa de receita também diminui”, contabiliza.

No entanto, a questão de infraestrutura vem sendo gradualmente solucionada com grandes obras de melhoria, tornando o país em um player profissional no setor ao longo dos anos. “Estamos em uma situação bem diferente do cenário de décadas passadas”, acredita Thiago Nascimento.

 

Novas tecnologias

A ampliação e a modernização da infraestrutura portuária no Brasil são fundamentais para inovar, melhorar e ampliar os serviços para esse setor. Thiago Nascimento defende a criação de novos portos e portos digitais, que vão abrir caminho para a acomodação de um volume maior de navios e passageiros nas costas brasileiras.

“Essa conectividade vai vir tanto para a operação dos portos quanto para a experiência do passageiro a bordo, e para a tripulação dos cruzeiros e dos navios de carga também. Melhor conexão Wi-Fi, aplicativos e sistemas inteligentes que facilitem processos vão ser de grande ajuda para aprimorar o setor”, afirma. 

 

Futuro do setor

Para que o Brasil continue se tornando cada vez mais competitivo no turismo marítimo, segundo Thiago, é preciso união. “Precisamos ter um alinhamento entre os esforços dos setores público e privado, com infraestrutura, segurança jurídica, e incentivos em pauta”, reflete. E acrescenta: “Ações que combinem tecnologia, sustentabilidade, expansão da oferta de cruzeiros, regulação sanitária, políticas públicas e parcerias vão abrir caminho para construirmos um mercado com mais qualidade, segurança e opções ao consumidor enquanto impulsionam a economia local e nacional”.

 

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